PAI NOSSO…

“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome.”  João 1:12

Em tempos anteriores à vinda de Jesus Deus era considerado pelo povo como um ser não só majestoso mas também distante em seu comportamento. Sentava-se em um alto e sagrado lugar, agindo como um juiz severo e apoiado pelo tribunal inflexível da Lei. No Antigo Testamento, nos relatos dos acontecimentos de Deus com relação ao Seu povo, os escritores se referem a Ele como YHWH, o nome que ninguém ousaria pronunciar por temor de ofensa ao Onipotente. Pouquíssimas vezes a palavra “Pai” lhe é referida, exceto de maneira indireta e remota. No entanto nos evangelhos, Jesus, rejeitando toda a limitação, fala de Deus como Pai mais de setenta vezes; esta é uma revelação nova e fundamental: “Deus é nosso Pai”: o Deus Pai se afasta do tribunal da justiça e da lei para vir bater à porta do nosso coração. Ele entra em nossa vida para tornar-se o “Pai dos Órfãos”. Parece impossível que Aquele que é O Eterno, Deus Infinito, viesse a se alegrar em que nós o chamássemos “Pai Nosso”. Porém é por essa razão que podemos nos aproximar de nosso Pai, com a segurança de que nos ouvirá porque nos ama e nos compreende. Diferentemente do trato com pessoas humanas, não seremos rejeitados, menosprezados nem separados. O próprio Jesus nos assegurou isso quando disse que “não veio ao mundo para julgar e condenar o homem mas para libertá-lo dos seus problemas”.

A fim de transmitir este aspecto do caráter de Deus, Jesus contou a história de um pai e seus dois filhos (Lc 15:11-32).  A atitude do pai para com os dois filhos nunca se alterou ou mudou. O mais jovem submeteu o pai a uma terrível angústia, que este quase sucumbe de cuidados pela ausência daquele filho querido que levava vida descuidada. O pai, certamente sabia o que o filho estava fazendo em terra distante; o irmão mais velho também sabia. Não era somente a fortuna que estava sendo desperdiçada, mas também o bom nome da família estava sendo arrastado ao lamaçal. No entanto, e apesar de tudo que este filho fez, a atitude do pai nunca se alterou; apesar de todo o escândalo, sofrimento, vergonha e perda, o amor do pai foi sempre o mesmo; do seu coração brotavam perdão, compaixão, amor e cuidado. Em momento algum passou pela sua mente rejeitar ou repudiar o filho. No dia em que aquele filho doente e fraco, tropeçando pela estrada, chegou de volta ao lar, o pai foi ao seu encontro de braços abertos, braços que na verdade nunca estiveram fechados para ele. Assim a essência do caráter de Deus nos é mostrada sem dificuldade textual alguma; a linguagem é clara e simples demais. Este filho, apesar de tudo que fizera, havia sido sempre perdoado. Tudo o que ele teve que fazer foi voltar ao pai e aceitar o perdão que sempre estivera a sua espera. No dia em que assim fez, ele compreendeu e sentiu-se aceito pelo Pai.

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