OS FRUTOS DO MAL

“O bem que faço eles me pagam com o mal, e por isso estou desesperado.”

Sl 35.12

Nos momentos em que nos sentimos injustiçados, seja em casa, no trabalho ou na igreja,  nada há que nos console. Mais: quando nos sentimos assim, parece que até mesmo Deus nos esqueceu, que não atende às nossa súplicas, que nem escuta as nossas orações. É como se gritássemos e não fôssemos capazes de ouvir nem mesmo a nossa voz. Não há eco, existe apenas o vácuo que nos leva ao nada.

Via de regra, fazemos sempre boa avaliação a nosso respeito, de maneira que nos assustamos diante da crítica, chegando ao ponto de acreditar que estamos sendo perseguidos injustamente, que fazemos o bem sem olhar a quem mas, em troca, recebemos o mal como pagamento, para o nosso desconsolo e desespero. Por isso, às vezes choramos, ficamos deprimidos; ou então profundamente magoados, nos sentindo vítimas dos que querem o nosso mal.

O ser humano é carente por natureza, consciente da sua finitude e, por isso mesmo, inconformado. Ele quer sempre mais. Se acha, via de regra, o tal; centro das atenções, em torno do qual gira o sol, e os planetas, e as galáxias, e a razão da existência da própria divindade.

Se a Sagrada Escritura diz que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, este lhe devolveu a gentileza, construindo um ídolo que em tudo a ele se assemelha. Aliás, essa é a razão pela qual Adão e Eva pecaram: porque foram levados a crer que, caso comecem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, seriam iguais a Deus.

É claro que o salmista está certo, que muitas vezes o bem que fazemos somos pagos com o mal. Mas, também, a recíproca pode ser verdadeira, que o bem que recebemos pagamos com o mal, seja o Bem que diretamente de Deus recebemos, ou mesmo do nosso próximo, de modo que, a ambos, causamos dor e sofrimento quando agimos com indolência e desrespeito.

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