O FARISEU QUE VIVE EM MIM!

“Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!” – Mateus 23.26

O farisaísmo é um grande mal, pronto para atingir a igreja cristã quando menos esperamos. Somos tentados, via de regra, a apontar o nosso dedo acusador à todo aquele que erra, sem antes fazer um profundo exame de consciência que venha a nos mostrar os nossos próprios erros, ainda que sejam aqueles mais ocultos.

Um dos grandes paradoxos que envolve a vida cristã é o fato de sermos chamados santos, porque cremos no Senhor Jesus, sem, contudo, abandonarmos a nossa condição de pecadores contumazes. Todos nós, crentes ou ateus, trazemos dentro de nós a herança do pecado de nossos pais primevos, qual semente que sempre germina. Dessa maneira não existe, sob o sol, alguém isento de pecados, uma pessoa sequer que não seja propensa ao erro.

Assim, por mais correto que alguém pareça aos nossos olhos, a semente do pecado habita dentro dele, da mesma forma que um vírus infecta o mais potente computador. Esta realidade nos tira o direito de apontar o dedo para o nosso próximo, para aquele que errou, que cometeu o pior dos crimes porque, se é “do coração [que] saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias (Mt 15.19), quem somos nós para nos arvorar ao direito de condenar alguém, quando tudo isso está bem aqui, dentro de nós?

A interpretação que o Senhor Jesus deu da Lei mosaica chocou aos seus contemporâneos justamente por isto: porque ele tirou do campo prático e colocou ao nível da intencionalidade a sua ideia de pecado, recuperando um conceito que parecia estar no esquecimento (Ex 20.17).

Com isso, sempre que julgo ou condeno aquele que errou, me assemelho aos fariseus, que davam muita importância ao exterior, mas esqueciam que a fonte de todo o mal nasce na intenção do nosso coração.

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