A CONTEMPLAÇÃO DE DEUS

“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma”   Sl 42.1

A contemplação de Deus pode começar com uma pétala colorida, com uma flor perfumada, com um fruto exuberante, com um jardim, com um gramado, com um pomar, com um bosque, com um campo coberto de girassóis ou com um trigal.

A contemplação de Deus pode começar na Selva Amazônica, no Pantanal Mato-grossense, nas Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Araguaia, na Reserva Biológica Augusto Ruschi, nas praias do Ceará, na Ilha de Fernando de Noronha ou na Gruta de Maquiné.

A contemplação de Deus pode começar no nascer do sol, no sol a pino, ao pôr do sol, no nevoeiro, na tempestade, no relâmpago, na trovoada, na bonança, na escuridão da noite, ao luar ou sob a luz das estrelas.

A contemplação de Deus pode começar numa maternidade, num cemitério, na alegria, na tristeza, na euforia, na depressão, no centro cirúrgico, na Unidade de Tratamento Intensivo, na cama de um hospital, numa cadeira de rodas, no banco dos réus, na cela de uma cadeia, no ermo, no exílio ou na melancolia.

A contemplação de Deus pode começar no sentimento de culpa, sob o peso esmagador da mão d’Ele, no arrependimento, na confissão de pecado, no perdão, na conversão, na remoção da parede divisória entre Deus e o homem, na remoção do orgulho, na remoção do preconceito, na remoção da má vontade, na remoção da incredulidade e na remoção da cegueira voluntária.

A contemplação de Deus pode começar no deserto, nas montanhas, num acampamento religioso, numa reunião a beira mar, num retiro espiritual, na capela, na catedral, no mosteiro, no quarto de hotel, na leitura das Sagradas Escrituras, no cântico do coral, no solo da guitarra, na meditação, na oração, na solidão, no celibato ou na companhia do marido ou da mulher.

A rigor a vida só começa com a contemplação de Deus, de onde viemos e para onde vamos. A contemplação de Deus dá sentido à vida. Ao contemplar Deus, o ser humano contempla também o galardão da renúncia, o galardão da disciplina e o galardão da fé, e é capaz de desvalorizar o que a sociedade valoriza, e valorizar o que a sociedade desvaloriza (Hb 11.23-29). A contemplação perseverante e progressiva de Deus leva à plenitude da contemplação e à satisfação da mais velha e da mais forte aspiração humana, a de ver Deus face a face: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor, e meditar no seu templo” (Sl 27.4). Daí o anseio descrito no Salmo 42.2: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?”

Extraído da revista Ultimato

Tatuí, 23 de Dezembro de 1997

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